13 de maio de 2016

A SEXAGENÁRIA BANDA MUSICAL IPIRANGA



Admmauro Gommes
Escritor, Diretor da FAMASUL/Palmares (PE)
admmaurogommes@hotmail.com

A Banda Musical Ipiranga completa 60 anos de existência, em 13 de maio de 2016. Orgulho do município de Xexéu, ela tem sido fundamental na preservação das tradições musicais mais genuínas. Neste solo pernambucano, onde o Frevo é reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), como Patrimônio Imaterial da Humanidade, com certeza, a BMI colaborou muito, tocando o Vassourinhas, nos carnavais da Mata Sul, Recife e Olinda.
 É uma belíssima história que ultrapassa o campo da música. De caráter filantrópico, a Banda acolhe a juventude e a encaminha para um novo rumo, distante das drogas e da violência, realizando de modo pedagógico ações inclusivas. Com isso, reafirma os altos valores humanitários e forma gerações com arte, disciplina e respeito mútuo. Admirável também é a habilidade dos maestros, desde Sebastião Moraes, José da Justa, Nilton Rodrigues, Laudemir Francisco de Souza (Passa) e, atualmente, Cavalcante Mineiro, que possuem uma visão transculturadora.
Os mentores fazem com que os novos talentos aprendam a admirar e executar tanto clássicos regionais, a exemplo de Asa Branca de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira e Aquarela do Brasil de Ary Barroso, quanto My Way e New York, canções imortalizadas pelo cantor norte-americano Frank Sinatra. Com isso, um mundo surpreendente se abre para cada adolescente, quando se inscreve e aprende mais do que melodias com esta senhora de sessenta anos. Com ela, vivenciamos muitos momentos ligados à cultura local, em solenidades diversas, como inaugurações, desfiles cívicos, festividades de Natal e Ano Novo, comícios, procissões, casamentos e outras comemorações. É por isso que seu legado ficará como testemunho permanente deste povo.
 Sua composição atual conta com quarenta e quatro músicos e vinte e três aprendizes. É detentora de um longo e invejável repertório, muitas criações de autoria dos próprios maestros, indo do frevo, ao xaxado, hinos de clubes e estados, além do tradicional dobrado e MPB. A Banda tem sido uma festa toda vez que se apresenta em praça pública, realizando grande espetáculo. Ainda que não disponha de estrutura de palcos sofisticados, a sofisticação fica por conta da qualidade artística.
Um monumento deste nível não tem passado sem a admiração de seus conterrâneos. Percebendo isso, a Câmara Municipal de Vereadores, recentemente, a condecorou como Patrimônio Cultural Xexeuense, pois artisticamente, indiscutivelmente, continua sendo unanimidade artístico-cultural por mais de meio século, no interior de Pernambuco. 
Por isso, este é um momento festivo para todos que se recordam dos dias memoráveis que começam com um sonoro desfile, convidando a todos para ver a banda passar. Tudo isso dentro de uma atmosfera de beleza e encanto saudosista. Assim, a cidade acorda mais feliz! Sem dúvida nenhuma, a Banda Municipal Ipiranga, que sempre mereceu o reconhecimento popular, continuará a receber os aplausos dos amantes da boa tradição musical.


                Este texto também foi publicado no site NOVA MAIS:


3 de maio de 2016

DIA DAS MÃES

LONGE DA MÃE AMOROSA
                    Poema de Admmauro Gommes

Longe da mãe protetora
Um filho perde o sorriso
Distante do paraíso
Sua dor é duradoura.
É coisa devastadora
Su’alma sempre abatida
Tem a face ressentida
Anda errante qual judeu.
Quem a sua mãe perdeu
Perdeu metade da vida.

Longe da mãe amorosa
O verão é tão gelado
O inverno é abafado
A primavera é penosa.
No outono falta rosa
A alegria é perdida
Falta paz, falta guarida
Quase se vira um ateu.
Quem a sua mãe perdeu
Perdeu metade da vida.

Se sua mãe ainda vive
Dê um beijo em sua face
Reproduza esse enlace
De seu amor não se prive.
Quanto mais que se convive
Mais se ama a mãe querida
Tão divina, tão sofrida
Que mais ama o filho seu.
Quem a sua mãe perdeu
Perdeu metade da vida.



29 de abril de 2016

VÍDEOS DE LITERATURA

Assista aos vídeos

A HIPERMETAFORIZAÇÃO DO LITERÁRIO em



NERVOS DE AÇO - POEMA DE LUPICÍNIO RODRIGUES 
comentado por ADMMAURO GOMMES



TERNURA de VINÍCIUS DE MORAES



ADMMAURO GOMMES RECITA
DOIS POEMAS DE MURILO MENDES



DOIS MORCEGOS
POEMAS DE AUGUSTO DOS ANJOS E DE ADMMAURO GOMMES




25 de abril de 2016

O OLHAR CONTEMPORÂNEO DA TOLERÂNCIA E DA DIVERSIDADE


Admmauro Gommes
Escritor, Diretor da FAMASUL/
Palmares (PE)
     Quanto mais a civilização se aperfeiçoa em tecnologia, mas as diferenças sociais aumentam. Não é que uma tenha a ver diretamente com a outra, porém elas se destacam ao mesmo tempo, nos dias atuais. Neste meio, a divulgação dos contrastes socioeconômicos se acentua pela mídia e pela moda e assim ganham projeção distorcida.
Infelizmente, no contexto que se apresenta, a intolerância é a marca de nosso tempo. Cada vez mais, grupos extremistas se renovam no cenário internacional. E nós, sem sermos extremistas, também temos uma parcela diária de incentivo à exclusão. Quando lutamos por um espaço no meio social, e somos minoria, achamos que é retaliação ou discriminação a oposição que sofremos. Mas se o caso é com os outros, consideramos que tudo está dentro da normalidade. Daí uma falsa sensação de que somos os melhores, em relação aos grupos que se nos opõem, pelo pensamento ou pelas diversas práticas sociais.
Não obstante, é preciso que tenhamos lado. Não da esquerda nem da direita, mas do centro, da imparcialidade. Neste caso, vale lembrar o que disse Evelyn Beatrice Hall (ilustrando as crenças de Voltaire): "Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las." Esta garantia que se dá ao outro, é fundamental para a permanência da paz entre os povos.
Quem já pertenceu à minoria e hoje não pertence mais, devia ter redobrada tolerância com os novos excluídos, mesmo que isso represente uma opinião contrária a sua. Até porque, a livre expressão do pensamento apoia-se na Constituição Federal. Embora a lei propague a igualdade, não é necessário que todos sejam iguais a nós, mas que consideremos a maneira de viver e pensar dos demais.
Por certo, o bom senso contemporâneo aponta para a tolerância em todos os sentidos para que haja uma convivência pacífica, na diversidade. Não que se deva associar às ideias alheias e divergentes da concepção de mundo que temos, nem defendermos pensamentos e maneiras estranhas ao nosso modus vivendis. Contudo, seguir o pensamento de Evelyn (sobre Voltaire), parece ser o caminho do centro, do equilíbrio e da promoção da paz.
A diversidade, enfim, está na concepção da natureza, que fez os nossos semelhantes tão diferentes. Aliás, se todos fossem modelos iguais a nós mesmos, “a coisa não prestava.” Por um simples motivo: Somente nós sabemos os defeitos e as desvirtudes que possuímos. Ainda toleramos os outros porque pensamos que eles não têm os defeitos que temos.


Comentário de Cida Vilas Boas
Admmauro, dizer que seus textos são admiráveis, reflexos de uma inteligência privilegiada é eufemismo. Eles são claros, diretos, sem subterfúgios ou adornos.
Você já é um requintado professor com ensinamentos que percorrem o mundo e seus textos são esclarecedores em coisas simples, mas que passam despercebidos numa leitura despreocupada, coisas que não paramos para decifrar.
Mas, "Decifrar a tolerância" no mundo onde a diversidade é alarmante, é coisa para pensadores de altíssimo quilate, como você, amigo.
Tudo bem. Nada disso é novidade. Vamos ao que me leva a redigir este meu comentário: Um trecho de seu discurso me pegou desprevenida: Sabedoria X ignorância (claro, a sua e a minha). 
Quando você cita Evelyn Beatice, ao comentar Voltaire, em parágrafo seguinte, diz o que me chamou mais a atenção: "...a livre expressão do pensamento apoia-se na Constituição Federal". Está aí a grandeza que eu não havia decifrado neste capítulo, ou inciso, de nossa Constituição (não sou boa em quase nada, mas em leis, sou nula). 
"Todos são iguais perante a lei". Vivo lembrando a todos quando vejo injustiças mas me detinha em direitos jurídicos, religiosos, físicos etc, mas nunca havia atentado ao significado mais profundo e talvez o mais simples de todos que é o respeito à maneira de pensar e viver dos nossos semelhantes.
Aprendi com vc essa faceta da lei da igualdade. Você falou TUDO.
Abraços. 
AgradeCIDA.




Comentário de Maria José de Oliveira Costa 
Muito adequado o tema que nosso amigo Admmauro Gomes abordou. Pela dificuldade dos tempos em que vivemos, em que a moral, os bons costumes e o respeito estão tão banalizados. Tempos em que estão gritando aos quatro ventos: "vocês têm que nos engolir," e o pior, engolir sem fazer careta, quanto mais falar!
Mas, como bem pode ter sido de Voltaire a sábia frase: " POSSO NÃO CONCORDAR COM NENHUMA DAS PALAVRAS QUE VOCÊ DISSER, MAS DEFENDEREI ATÉ A MORTE O DIREITO DE VOCÊ DIZÊ-LAS," nos concedemos o pleno direito de também defender até a morte o direito de expor nossa maneira de pensar. Afinal, não dá para calar, pois um velho dito afirma que 'quem cala consente.' Que seria das famílias brasileiras se não houvesse pastores que, histéricos ou não, alçassem sua voz, na bancada evangélica, na Câmara de Deputados, para barrar as leis que sorrateiramente vão sendo lançadas?
Evidentemente, não tenho a habilidade do amigo Admmauro para colocar meus pensamentos, e nem penso tanto assim. Mas agradeço a ele por nos instigar a formular opiniões.
Você é bom em tudo que se propõe a fazer Admmauro! Parabéns!
Sua amiga, Maria Professora.


Comentário de Caio Vitor Lima     
Concordo que temos que ter um lado e que devemos respeitar o direito do outro de também pertencer a um lado. Mas não concordo que o lado do "meio", da "imparcialidade" seja uma opção viável. E não o é porque a imparcialidade simplesmente não existe, é uma quimera dos que pensam ter uma visão ampla e pragmática da realidade.
O exercício do distanciamento é necessário à direita ou à esquerda, pois gera senso crítico em relação ao próprio posicionamento político-ideológico, mas defender um ponto de vista sobre modelo de mercado, de política, de sociedade, de religião, de laicidade, etc, inevitavelmente leva o indivíduo a um lugar não neutro e orientado a um dos lados da moeda: uns mais moderadamente, outros com radicalismos. E essa ideia "voltairiana" de defender até a morte o direito do outro de ter e expor um ponto de vista é perigoso.
Como posso, por exemplo, defender o direito de alguém em expor a opiniões racistas com relação aos negros? Ou que homossexuais não devem ter o direito civil ao casamento igualitário, um direito cidadão, com os absurdos argumentos de que não podem constituir família por não reproduzirem, por ser contra a moral cristã, ou por serem más influências sexuais aos filhos (como se a heterossexualidade dos pais influenciasse a sexualidade deles), dentro do contexto da laicidade do Estado? Como posso defender o direito de um deputado federal de homenagear um torturador da Ditadura Militar como herói da pátria, sendo a tortura um crime deplorável, condenado por cortes internacionais de direitos humanos?
Não, não se deve defender o direito ao discurso racista, misógino, homofóbico, em quaisquer de suas faces; não se deve lutar em prol do discurso da intolerância religiosa, ou de golpistas de um governo legitimamente eleito, como aconteceu no Egito há dois anos e acontece hoje no Brasil. Esses discursos podem - e devem ser - combatidos nas redes sociais, no espaço acadêmico, na roda de amigos, nos programas de TV e rádio sempre que ferirem a ética e a dignidade humana. 
Ter uma opinião sobre o que quer que seja é valioso, mas há o limite entre o diferente e o desrespeitoso, entre a discordância e o direito de existir das minorias, entre a opinião e o crime. Discutir é saudável e democrático, mas quando o discurso estimula a violência ao outro, deve ser combatido nas formas que a lei autoriza.


9 de abril de 2016

REPENTE ABUSADO

         

Pra quem é bom no repente
E topar este embate
Para entrar no debate
Me responda urgentemente 
O que é que move a gente
Quando amanhece o dia?
Se não for a poesia
Por favor mande a receita
porque a vida é feita 
De tristeza e alegria.
           - Admmauro Gommes

.....................................................................
     Neilton Lins:
Pra responder a pergunta
Eu não sei o que dizer
Se não é poesia
Outra coisa não deve ser

Se não for a poesia
dia não deve ser
Se é dia
Então poesia deve ser.

.....................................................................
     Admmauro Gommes:
Não é somente sorriso
Que é feita a vida inteira
Há noite de gemedeira
E de lutar, se preciso.
Mas fica o meu aviso:
Quando olhar para trás
Sinta orgulho, muito mais
Não jogue a vida no vento
Mesmo vendo em pensamento
O estrago que o tempo faz.

.....................................................................
     Pedro de Morais Neto:
Você diz que é cantador
Se gabando desde cima
Com apenas uma rima
Me escreva, professor
Use todo seu labor
E mostre que é capaz
Estripulie, faça mais
De cima até embaixo
Pois desse jeito eu acho
Que a estrofe não sai.

 .....................................................................
     Admmauro Gommes:
Usando uma rima só
A gente fica com dó
Para cantar carimbó
Pra tia do caritó.
Melhor é ser o xodó
E dá na palavra um nó.
Se o cantador for bocó
Pode até ficar cotó
Vou matá-lo com um cipó
Do tempo de minha vó.

 .....................................................................
Neilton Lins

Já não me lembro mais
Dizem que era tempo de paz
Com todo o seu albor
Instantes de muito amor
Que os dias não trazem mais

É preciso lembrar do hoje
Como mais nada se faz
Fale de outra coisa rapaz!
De amor, de esperança
Que também traga lembrança
De dias sem muitos ais

Fale do tempo do vô
Se preciso conversar, eu vou
Pra gente debater esses instantes
Iguais aqueles de antes
Que inspire no peito o calor
Do mais tenro debutante


.....................................................................

     Admmauro Gommes:

Para falar do agora
Relembro antigamente
Para andar para frente
Sigo heróis de outrora.
Sua lição revigora:
Não caminhar no escuro.
Pra se firmar no futuro
Não esconda as raízes
Assim seremos felizes
Aposto que é mais seguro.




Obs.: Mande sua resposta para este Desafio em forma de comentário, no espaço disponível, logo abaixo:

3 de abril de 2016

CONCEITO DE LITERATURA

"Literatura é a arte da palavra sempre carregada de muitos significados. Moldada pela invenção, constrói mundos paralelos ao real e investiga, de maneira simbólica, a vida de todo e qualquer ser humano, através do prisma metafórico de um autor. Particularmente, acredito que seja fuga constante, para um mundo possível, mesmo que isso só aconteça no âmbito da imaginação. Enfim, é a arte que se reveste de esperança, ainda quando delineia o caos." 
A. Gommes, Palmares, PE, abril de 2016.

31 de março de 2016

XEXÉU DE SOCORRO DURÁN

Por Admmauro Gommes

Poetisa Maria do Socorro Barros y Durán 
Um poema não precisa ser longo para ser grande. Como diz Vital Corrêa, um verso bem construído vale mais que uma odisseia. Foi o que pensei ao ler “Xexéu” de Socorro Durán. Aliás, esta poetisa vem crescendo visivelmente, à luz da contemporânea estética literária. Diria que, como chuva serôdia, aquela que tardiamente vem para deslumbramento do agricultor, Durán apareceu há poucos anos como poetisa, embora poetisa fosse a vida inteira. É que reconheço nela, assim como vejo em Wilson Santos, um talento que desponta após longo tempo convivendo com a poesia sem que se reconhecesse a si mesmo como poeta.
De repente, destampam-se e eclodem autores deste quilate em percepções muito sensíveis, próprias apenas dos que convivem com o sentimento alinhado ao domínio da palavra. Como essas espécies de escritores são muito exigentes com a sua criação literária, retardam a divulgação do que produzem. Ainda bem que a fase da autocrítica severa se rende à necessidade de sobrevivência pública da poesia.
Confirma-se o exposto em Socorro Durán, quando a simbologia de uma ave denominada Xexéu adquire aspectos sublimares e conduz o poético ao estado de libertação: Um pássaro/ de asas largas/ olhos grandes/ arrebentou minhas amarras/ libertou-me/ e conduziu-me/ à terra dos bem-te-vis.Nesta construção, cada palavra tem múltiplo sentido, pois não há nada gratuito, que se apresente apenas em favor da rima ou da métrica. Assim, as linhas são repletas de plurissignificações. E o mais importante é que a economia literária não aponta com exatidão o endereço do destinatário. É nisso que ganha força a arte, não se fechando em única leitura. As ideias ficam à deriva das tantas possibilidades de interpretação.
“Libertou-me”, portanto, é uma confissão de muita valia, porque o eu-lírico se imaginava preso (minhas amarras), mas por intermédio do implícito voo do pássaro, encontrou a vereda libertária e escapou para um lugar de prazer indizível. Aos olhos da poetisa, alcançou-se “à terra dos bem-te-vis.” Com esta metáfora imensurável e indecifrável (daí a excelência de um poema grandioso), conquistou-se um espaço que ainda não se havia revelado dentro de si, mas que, sob surpresa percebeu-se a sua existência.
Esse é um lugar encantado, como Pasárgada, lembrando Manuel Bandeira. Para se chegar lá, permite-se ser conduzido por um guia inesperado. Pode ser uma Asa Branca, na concepção de Luiz Gonzaga, Sabiá, em Gonçalves Dias, na Canção do exílio, ou Xexéu, para Socorro Durán. Oswaldo Montenegro diria: “Voa Condor, que a gente voa atrás.” Com tanta poesia, em pouco tempo, nós pediremos socorro a Durán.

29 de março de 2016

MUNICÍPIO DE XEXÉU


2016 
25 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA












BANDEIRA DE XEXÉU

A Bandeira do Município do Xexéu foi criada em 1993, por Admmauro Gommes, a pedido do então prefeito Floriano Gonçalves de Lima. As suas três cores básicas (amarelo, branco e depois azul), formando três faixas verticais, foram baseadas nas cores da Bandeira Nacional. O azul representa o céu, numa profundidade que nos lembra o céu nordestino, sem nuvens, espelhado pelo sol sempre causticante; o branco simboliza a paz; e o amarelo as riquezas de um povo lembradas pela cor do ouro. No centro, estão os elementos muito significativos para o povo xexeuense: da esquerda para a direita, uma cana, ícone da agricultura que representou a base da economia municipal, fazendo referência às usinas de cana de açúcar da região, no meio, a esfera que nos traz a recordação da Bandeira Nacional, apenas mudando o lema de ORDEM E PROGRESSO para PAZ E PROGRESSO, sugerido pelo prefeito Floriano Gonçalves. À direita, ainda dentro do espaço branco, o desenho de um lápis, representando a educação do município. Em síntese, a ideia do autor da bandeira foi trazer o passado (cana-de-açúcar), o presente (ligação com o País, com o círculo azul, lembrando que estamos debaixo do mesmo céu brasileiro) e, finalmente, o futuro (considerando a educação como caminho a seguir por todos os xexeuenses).



HINO DE XEXÉU
             Admmauro Gommes e Nilton Rodrigues

Quem te vê, entre montes, surgindo
E teus raios tocando o véu
Não imagina que é o brio refulgente
Da estrela chamada Xexéu.

Uma pátria de berço heroico
De guerreiros, de paz e brandura
Essa luz te faz na alvorada
Como águia voando às alturas.

Meu Xexéu, no voo majestoso
Desafio não é uma quimera
Se há batalha me inscreve à luta
Que a vitória sorrindo te espera.

Elevamos a alma aos céus
Gratidão, com respeito e louvor
Que a bandeira hasteiem da paz
Da justiça, da crença, do amor.

Nossa gente feliz já na praça
Festejando emancipação
Seja sempre sagrado e suave
O teu canto de paz e união



Partitura do Hino de Xexéu - Transcrição do Maestro Nilton Rodrigues































MEU NORDESTE
                 Admmauro Gommes

 Eu vejo o meu Nordeste
com muita admiração
da pamonha e da canjica
na noite de São João
e da sanfona de Gonzaga
que foi o Rei do Baião.

O Nordeste produz tudo:
sal, açúcar, ferro e mel
do frevo ao maracatu
aos livretos de cordel.
Para mim, o meu Nordeste
começa aqui em Xexéu.


1- AS ORIGENS

(Do livro História do Xexéu, escrito por Admmauro Gommes, Bernardo Almeida e Marcos Gonçalves de Lima. Editora Bagaço. Recife. 2003.

 1.1. No tempo do rococó - Admmauro Gommes

Era uma vez... Na verdade, não era uma vez, porque isso é modo de se começar uma história inventada. Esta é uma história verdadeira.
Houve um tempo, não muito distante, que Xexéu ainda nem era Xexéu e as coisas andavam para trás, como caranguejo. Isso é maneira de dizer que a vida era difícil e atrasada, em relação aos dias de hoje.
Era muito difícil viver naquele tempo. Pois bem. Imagine você viver num tempo assim, onde não existia o computador. Nem a televisão. Nem mesmo o rádio. Um tempo sem lâmpadas, sem liqüidificador, sem video-game, videocassete, sem televisão, nem antena parabólica. Sem carro para viajar e sem escola. Não existia automóvel, nem telefone, nem geladeira. Nem mesmo energia elétrica e as casas eram cobertas de capim. As coisas eram precárias, pela hora da morte! Por falar nisso, a funerária só tinha um caixão para os que morriam sem deixar recursos para as póstumas despesas: chamava-se o caixão da caridade. Era muito difícil morrer naquele tempo.
As viagens eram feitas a pé ou nos lombos dos animais. Quem quisesse ir a Palmares a pé gastava em média três horas e uma viagem a Maceió, mesmo que fosse a cavalo, demorava, pelo menos dois dias. Os burros, em geral, transportavam também o açúcar dos engenhos de Xexéu até Rio Formoso e de lá o nosso doce era levado para a Holanda, de navio. Os engenhos moíam a cana-de-açúcar. Quando as usinas chegaram, eles deixaram de moer. É por isso que os nossos sítios e pequenas propriedades são chamados de engenhos, até o dia de hoje. O patrão, dono da propriedade, era o senhor de engenho.
Tudo era muito difícil. Depois, as coisas das facilidades foram aparecendo, como num toque de mágica. Isso já datava dos anos 50. Veio a BR 101, e com ela todo o Brasil começa a passar por aqui. Nessa época, a Usina Santa Teresinha já estava estabelecida e o comércio foi favorecido quando os primeiros moradores já serviam de apoio às pessoas que por aqui se destinavam às Alagoas.
A iluminação das casas era na base da luz de candeeiro, depois veio a marca Aladim. Com certo tempo, apareceu uma bomba que gerava energia e bem depois chegou a luz vinda da usina, para enfim, surgir a eletricidade da Cachoeira Paulo Afonso. A Usina Santa Teresinha fazia e acontecia na região, pois era a segunda em produção no Estado de Pernambuco: elegia prefeito, dominava o comércio, inclusive, onde atualmente funciona o supermercado Stillo, era a instalação das famosas Casas Santa Teresinha. Até uma moeda extra, chamada gabão circulava com o carimbo da usina.

Esses fatos parecem muito distantes, mas deles nos separam apenas 60 anos. É isso que os mais velhos chamam de o tempo do rococó. Parece um tempo distante mesmo, pois até a palavra rococó, não mais faz parte da nossa linguagem de hoje. Daí, reconhecermos o valor da pesquisa historiográfica: não só resgata o termo rococó, como também salva o nosso passado histórico.


1.2 Do século XVII aos nossos dias - Bernardo Almeida

Desde a nossa bandeira com uma esfera deslocada pelo azul do pavilhão nacional lembrando o céu da pátria e o verde das matas e dos canaviais, o amarelo áureo, principal riqueza dos primeiros séculos de colonização, elemento determinante da história pernambucana, o lápis que escreve uma história com tinta perene, lembrando da nossa cultura e do nosso povo, até a estrela elevada ao alto como traço marcante da presença da paz e do progresso, acima de toda e qualquer individualidade, assim contextualizamos em nossa bandeira a inspiração dos nobres ideais do povo brasileiro.
 Essa inspiração, que em meio a busca da liberdade e a perseguição dos senhores de engenhos, surge assim, num palco de lutas e buscas de um ideal nobre e de inigualável valor.  Por nossas matas, sendo agraciado pelo mavioso cântico do Xexéu, assim caminhava Zumbi dos Palmares e os escravos fujões pela sua rota favorita, como afirma o historiador Amaro Matias (1988).
Xexéu não foi apenas o caminho da liberdade de Zumbi e dos escravos, é também em nossas terras que fica localizado o engenho Macaco, que por volta de 1675 tornou-se um dos maiores núcleos de resistência negra organizada do Brasil, chegando a ter aproximadamente 15.000 negros. Lá se plantavam, colhiam, desenvolviam o artesanato. Os mantimentos que lhes faltavam eram trocados nas vizinhanças e formavam uma sociedade livre, onde a preservação da liberdade era o seu maior patrimônio.
Aqui em Xexéu o Brasil inquietou-se, com Macaco, que rotineiramente intercambiava, informações, homens e produtos com os irmãos de mesmos ideais pelas terras pernambucanas, que na época envolvia a Serra da Barriga, refúgio maior do Quilombo dos Palmares.
Tantos outros fatos marcaram a história do Xexéu, que territorialmente é demarcado a partir dos Venâncios, Camboins, Cavalcantes, Santos, Pereiras e Maciéis. Estes pertencentes à família de Marco Maciel.
Em meio a este mergulho cronológico de nossa história, constatamos a importante contribuição da sesmaria dos Maciéis, que forma os engenhos Pureza e Beleza, por volta de 1865 e uma década depois instala em sua propriedade uma fábrica de doces.  No início da década de 1870, o Major da Guarda Nacional Henrique Abreu Siqueira de Cavalcante compra a José Venâncio quatro hectares de terra e forma a propriedade do Jucá e os Santos se estabelecem em Ipiranga. Nessas três propriedades, havia algo em comum: o cântico belo e harmonioso do Xexéu. Cantando como um fiel intérprete das mais variadas aves impressionava a todos que por aqui passavam e aumentavam os comentários dos que afirmavam ter passado por aqui.
 O número cada vez mais crescente de feirantes, trabalhadores e senhores de engenho, tornava Xexéu um ponto de encontro obrigatório para as mais diversas comercializações regionais. Aqui eram definidos os preços do açúcar e das mercadorias mais importantes. A feira era realizada por caixeiros viajantes, biscateiros e feirantes do agreste de Pernambuco e Alagoas, iniciada no sábado, à tardinha, com o bacural e durante noite e madrugada se comercializavam diversos produtos, somente vindo a terminar no domingo à tarde.
Os primeiros habitantes já se encontrando em Xexéu, por volta de 1893 recebem João Pereira Sobrinho, comerciante do Recife, Domingos e Francisco Leandro para estabelecer as primeiras casas comerciais. Ainda no final do século XIX Xexéu recebe o nome de Aurora por ocasião da passagem das tropas do marechal José Semeão, que fica encantado com o nosso amanhecer e resolve render-se à grande beleza, e diz para todos que a partir daquele momento o lugar teria o nome de Aurora.  Mas, o canto na forma de grito inquietante do Xexéu foi maior do que as ordens do Marechal José Semeão e alguns meses depois nossa terra volta a ser definitivamente Xexéu.
Os Gonçalves chegam em Xexéu nas primeiras décadas do século XX, por volta de 1923. Nos anos 40, Floriano, Reginaldo e Gercino formam com os Maciéis e Vasconcellos os primeiros grupos políticos.
Em 1992, Floriano é eleito primeiro prefeito do Xexéu. Com o passamento desse, o vice-prefeito Severino Alves assume a prefeitura, em 1993. No ano de 1996 Marcos Gonçalves é eleito prefeito e reeleito nas eleições de 2000.


5.5 A emancipação política - Marcos Gonçalves de Lima

Todos acontecimentos têm uma certa importância, mas a data da emancipação política de Xexéu significa o marco da nossa liberdade, da nossa independência, é, com certeza, o fato mais marcante entre nós. Ela diz que nós estamos com o campo aberto para construir a sociedade, cada vez maior, acima de tudo mais justa e mais humana.
A luta para Xexéu emancipar-se foi muito longa, atingindo mais de 40 anos. Foi assim: o 1º projeto para Xexéu ser emancipado foi elaborado em 1952. Acontecendo a eleição de 1956 e depois de 1960, Floriano pediu a alguns companheiros, deputados na época, para fazer Xexéu emancipado. Mas tinha um grande problema: o domínio político e empresarial, o poder econômico que estava depositado pelos donos das terras. Eles não tinham interesse em ver Xexéu passar a cidade, até mesmo para não perderem uma grande porção de hectares de terra. Então, esse poder pressionava a política dominante, lá em Água Preta, para não permitir que fôssemos emancipados.
Hoje até que vemos o grupo empresarial com uma outra visão. Mas naquela época, era um poder esmagador, e só pensavam neles. Eles estando bem, com a pobreza não se incomodavam. Então havia essa pressão do poder econômico junto ao poder político dominante e a vontade de liberdade esbarrava sempre ali.
            Mas a luta foi se estendendo e muitas e muitas vezes foram apresentados projetos. (...) Aí o plebiscito foi marcado e Xexéu compareceu em massa quando mais de 98% disseram sim. Era um sonho! Aprovado o plebiscito, a Lei 10.621 de 1º de outubro de 1991 foi sancionada pelo então governador Joaquim Francisco Cavalcanti, dando-nos a emancipação.
A Lei dizia que a cidade tendo sido emancipada ficaria ainda sobre a responsabilidade do Município mãe, até que chegasse o período das eleições. Então nós ainda passamos um ano e três meses, na condição de município, governado por Água Preta. Foi quando aconteceram as eleições de 92 e no dia 1º de janeiro de 1993, de fato e de direito, Xexéu começou a ser governada pelos seus próprios representantes.
Assim, Xexéu tem duas datas importantes, a da Lei que cria o Município e a do início administrativo. Xexéu foi fundado em primeiro de outubro de 1991, como poder administrativo próprio. Em janeiro de 1993, o 1º prefeito, Floriano Gonçalves de Lima, assumiu o comando municipal.