6 de junho de 2017

SER DIFERENTE NÃO É NORMAL


Admmauro Gommes
Poeta, cronista e professor de Teoria Literária
admmaurogommes@hotmail.com

Existe uma confusão muito grande quando se trata de classificar e entender o que está além da curva e das rotas normais da tradição. Na maioria das vezes, rotulam-se novos comportamentos com discriminação. Este modo torto de ver o mundo representa um olhar distorcido e arcaico e deve ser rejeitado em qualquer instância, modo e lugar.
Não é por ser diferente que alguém é inferior, tampouco superior a nada, apenas pela diferença. O teólogo Bartolomeu Antônio, de Xexéu, lembrou-me esta semana uma frase de Clarice Lispector, da obra “Um sopro de vida,” que diz: “O que me mata é o cotidiano. Eu queria só exceções” É que a exceção é peça extraordinária e atraente. A rotina mata qualquer um de tédio. A regra é comum, geral; o segredo está nas exceções. É por este motivo que os artistas inventam seus mundos, não raras vezes carregados de esquisitices, mas nem por isso são bons ou maus. Apenas inusitados, indicando a marca de determinados estratos sociais ou individuais. Ser diferente não é tão normal, como dizem, e pode ser alvo de exclusão ou privilégio. Depende muito do momento histórico em que se vive, como nos tantos casos de pequenos grupos religiosos, artísticos ou políticos. Acontece que os mesmos perseguidos podem ser transformados em heróis, tempos depois.
Destarte, tudo que foge do comum, do padrão, deve ser observado com expectativa pois está próximo do atrativo (ou da repulsa, que é o avesso da atração). Afasto aqui qualquer julgamento moral e direciono a discussão para o plano estilístico e/ou estético. O que se reveste de espanto muda o rumo das coisas e provoca alterações inevitáveis em uma sociedade que sofre constantes mutações.
O outro, por não ser uma cópia nossa, causa estranheza. Esta situação se percebe quando alguém anda em descompasso com a maioria. É o caso de Vênus, um planeta que não gira no sentido horário, igualmente aos demais. Isso tem me inquietado muito! Como é que um planeta se “revolta” contra seus pares? Mas é algo excepcional e a ciência ainda não explicou. Nem ela nem Freud. Aliás, o que o Pai da Psicanálise explicou minuciosamente foi a condição de o estranho ter sido parte deslocada de nós mesmos, bem familiar em outro tempo, na infância, talvez. (Artigo “O Estranho” - 1919) Seria assombrar-se com a própria sombra ou o fato de Narciso achar feio o que não é espelho?
Normal é fato comum. Os diferentes nos são estranhos e por não entendê-los, quase sempre os rejeitamos. Isso é que não é (e não pode ser), normal. Anormal é não reconhecer com igualdade que os outros têm o direito de ser diferentes.



24 de maio de 2017

ANÁLISE DO SERMÃO DE VIEIRA

SERMÃO DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS


Literatura Brasileira I
Válido como conteúdo da ANP (aula não presencial)

Metodologia:
Destacar pelo menos cinco pontos característicos do Barroco e, em seguida, elaborar um comentário de cada item selecionado.

Prazo: Um dia antes da Avaliação da II unidade
Sugestão: Escreva os textos sempre abaixo do nome já digitado em COMENTÁRIOS (como Responder)

Exemplo:




8 de maio de 2017

MÃE É MAIS

poema de Admmauro Gommes

          
Mulher é prata e ouro 
é pérola, ave e flor 
e tem cantos matinais 
no entanto, Mãe é mais. 

É mais e se sacrifica 
pelo bebê que é seu 
sofre muito e padece 
passa a vida e não esquece 
um filho que não nasceu. 

Nunca troca de amor 
no olhar tem novo brilho 
basta lembrar um instante 
de qualquer um de seus filhos. 

Sua casa é um paraíso 
também espinho e cruz 
mas sempre abençoada 
uma bem-aventurada 
igual a Mãe de Jesus. 

Ama tanto que não sente  
de si mesma, os seus ais. 
Mulher é feita de encanto 
no entanto, Mãe é mais. 




Leia outro poema do mesmo autor sobre as Mães em:


5 de maio de 2017

A POESIA ENTRE O TRADICIONAL E O CONTEMPORÂNEO

Por Débora Elisa Jacinto (1º período de Letras/2017.1 - FAMASUL)
 
COMENTA textos de Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira e Tony Antunes
           
           No poema tradicional ou popular, um dos aspectos marcantes é a linguagem simples, de fácil entendimento para o leitor e que pode ou não conter rima, embora geralmente ela se faz presente. Nele, o eu lírico é sentimental e sofredor. Um dos temas mais recorrentes nesses poemas é o amor ligado à saudade ou o amor impossível. Na letra da música "Que nem jiló" de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, temos um excelente exemplo de como o poema/poesia popular encontra fácil abertura e rápida aceitação nas camadas mais populares da sociedade.
       Isso se dá pelo fato de sua linguagem não precisar se valer de palavras rebuscadas e formais, mas sim ter em sua composição a simplicidade como principal trunfo e, posteriormente, seu sucesso. O público ao ouvi-la certamente se identificará com a história retratada na música, por se tratar de uma situação comum: a dor da saudade. A vertente do poema popular cativa por suas palavras genuínas mas também porque reflete contextos em que as pessoas se veem reconhecidas nos seus versos.
        Já o poema contemporâneo é escrito de forma mais despretensiosa e livre, e isso se exemplifica pela sua não obrigatoriedade em seguir as técnicas de composição poética, os assuntos abordados já não se prendem a certas temáticas românticas e idealistas mas sim encontram agora uma abundância de conteúdos a serem explorados. Na música "Inexaurível eu" de Tony Antunes, poeta da Famasul, temos um exemplo desse tipo de poema, lendo não sabemos o significado de seus versos; admiramos suas palavras mas o que cada uma delas quer dizer só o seu compositor sabe.
        Podemos dizer que o poema contemporâneo cria com o autor uma relação mais aberta, composta por inesgotável fonte de ideias.


1 de maio de 2017

ADMMAURO GOMMES PARTICIPA DE ANTOLOGIA NACIONAL

 

O poeta ADMMAURO GOMMES teve um de seus textos selecionado para participar da Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea ALÉM DA TERRA ALÉM DO CÉU, promovida pela Editora Chiado.

Para o antólogo Gonçalo Martins, “Será o Evento poético do ano no Brasil, onde apresentaremos ao público uma obra que perdurará como um dos mais arrojados objetos de poesia publicados no nosso país.”

Eis o poema selecionado, constante no volume II da referida obra:

MERGULHO (Admmauro Gommes)

Muito além
de onde quebram as ondas desse mar
mergulhei meu coração. 


Em terras estranhas
em paisagens nuas
vesti-me de sol.
Porque a esperança é bandeira de luz
porque a ausência preenche-me de sal
canto
pois as madrugadas
são pétalas de pedras
boiando em minh’alma.

Se há ilusão em dura vida
duradouro seja o sorriso
da permanente espera. 

24 de abril de 2017

VÍDEOS DE LITERATURA

Assista aos vídeos

A HIPERMETAFORIZAÇÃO DO LITERÁRIO em



NERVOS DE AÇO - POEMA DE LUPICÍNIO RODRIGUES 
comentado por ADMMAURO GOMMES



TERNURA de VINÍCIUS DE MORAES



ADMMAURO GOMMES RECITA
DOIS POEMAS DE MURILO MENDES



DOIS MORCEGOS
POEMAS DE AUGUSTO DOS ANJOS E DE ADMMAURO GOMMES




21 de abril de 2017

AULAS DE LITERATURA POPULAR


A INFLUÊNCIA DO MOTE

Considere os fragmentos que seguem e produza uma redação com caráter argumentativo justificando a importância do mote na construção do texto poético.

a) Na opinião do poeta alagoano José Inácio Vieira de Melo, para que o cantador de viola comece a produzir sua arte, “basta uma provocação, um ‘mote’ para surgir de forma instantânea o tema para uma canção.”

b) “Na vida cotidiana desses poetas existe o hábito de "dar motes" o tempo inteiro, durante a conversa. Qualquer assunto é motivo para um mote. Você está conversando no balcão de um bar, pede um cafezinho, vem frio, você reclama. O poeta ao lado ri e dá o mote: "Quem bebe café aqui / pode pegar resfriado", ou algo assim. É quase um cacoete, uma mania benigna.” - Bráulio Tavares




11 de abril de 2017

ZORAIA, PORTUGAL E POESIA

Flores do jardim de Zoraia
Admmauro Gommes
Poeta e professor de literatura
admmaurogommes@hotmail.com

Conversando com Zoraia, uma ‘portuguesa’ natural de Xexéu, mas que reside na Ilha da Madeira, descobri outras zoraias que ela esconde. Iniciamos o bate-papo porque me disse que estava sem tempo para terminar de escrever um livro. Desculpou-se afirmando: “Nos dias de pouco movimento dedico-me às flores de meu jardim.” Durante a conversa, soube que desenvolveu outro talento para fazer gravuras em azulejos e tinha sido convidada para expor suas espécies raras. Suas orquídeas vanda e tutti negra, petúnia, catylas, proteias, sapatinhos da Índia, cactos, urze... Uns amores de plantas! Ou melhor, até amores-perfeitos. Então repliquei que isso também é poesia e sua produção valia mais que um livro publicado, pois se reeditava diariamente. 
O modo como ela faz e com o carinho que faz é o que conta, porque todo artifício que manuseia o belo, dialoga com o poético. Isso, por si, demonstra o grau de poeticidade que aflora de uma cultivadora de flores ou de uma esteticista que vê no toque facial traços de rara beleza.  É que a poesia está em tudo. Em cada pedaço de vida, em cada olhar, em cada esperança ou desesperança. E porque é arte, é parte integrante do cotidiano. Embora dito isto, faço breve distinção entre poetas que escrevem e poetas que cultivam a poesia no seu íntimo mas não conseguem externar o sentimento através das palavras. Esses escolhem pétalas para escrever auroras. Aqueles, palavras, pois necessitam desses instrumentos linguísticos e do domínio estético.
Mesmo fazendo estas considerações, reafirmamos que a poesia está em qualquer lugar: nos chinelos, como disse Manuel Bandeira; ou no esgoto, para usar a expressão de Manoel de Barros. Mas também pode estar no jardim. O olhar de quem observa é que dá a carga poética a qualquer objeto, como o carinho com que Zoraia cuida das orquídeas.
Observando as flores que ela me enviou pelo Whatsapp, entendo que são verdadeiros mimos e que ninguém precisa inventar poesia; ela já existe nos seres como imanência. Lembrando Mário Quintana, não se deve correr atrás das borboletas; basta cuidar do jardim que elas vêm ao nosso encontro.
Por ser essência, a poesia nos procura, nos circunda e nos absorve, pois somos reveladores dessa cosmicidade intransponível, indizível, indecifrável, e necessária para que a vida tenha sentido. A poesia está ligada à mágica da existência e ao deslumbramento que nos inquieta diante das coisas incompreensíveis. A sensibilidade é que faz o poeta, este cultivador de flores ou de essências.


8 de abril de 2017

PORQUE A CARNE É FRACA

Este texto foi publicado também no Jornal do Commercio
Admmauro Gommes
admmaurogommes@hotmail.com

O nome que a Polícia Federal atribuiu à fiscalização que suspendeu licença de exportação a mais de duas dezenas de frigoríficos, chamando de Carne Fraca, parece bem sugestivo e ilustra muito o estado de coisas que há anos vem acontecendo no seio de nossa pátria. Podemos dizer que todas as fases da Operação Lava Jato estão representadas na fraqueza da carne. É uma terrível ilustração, gangrena que atinge até o osso em crime de lesa-pátria.
É como se tudo pudesse ser compreendido tomando-se por base o texto bíblico que afirma ser a carne (a natureza humana) fraca, diante do que aguça os olhos e instiga a corrupção. E agora, em quem confiar? Se desconhecemos a procedência até do que ingerimos? Já bastam os agrotóxicos e transgênicos que nos agonizam. Como atenuante, as autoridades estão dizendo que não há nada demais, ‘apenas encontramos um sistema de propina’. Só isso. Dos males, o maior!
Esperei por grande barulho: partidos políticos no horário gratuito denunciando, a sociedade organizada sendo convocada para as ruas, panelaço, o escambal ... Mas não houve nem um mugido, foi um silêncio diante da podridão e continuamos a mastigar o mesmo veneno. Literalmente, um papelão.
Lá fora, a coisa foi diferente. De imediato, os compradores estrangeiros da carne brasileira tomaram uma providência: não importar mais esse produto enquanto todos os responsáveis não pedissem desculpas formais e prometessem não mais se entregar aos desprazeres da carne. Um Deus nos acuda! Enquanto isso, aqui no Brasil, quem viu alguma rede de supermercados rejeitar publicamente as empresas investigadas? Ou um político levantar bandeira em nome da saúde pública?
Se a população brasileira fizesse como os importadores internacionais, não querendo mais consumir carne podre, com papel embutido, aí a vaca ia pro brejo. Precisava que o povo mostrasse que tem nervos e tutano e sangue nos olhos. Mas, não. Tem gente que nem percebeu a gravidade desse problema que nos intoxicou e nos contaminará ainda por muito tempo. Também, pudera: muitos ‘intelectuais’ estavam entretidos mandando ‘correntinhas’ pelo WhatsApp.
Mas ainda há tempo (será?) Quando quisermos, poderemos até embargar os governos desgovernados que conduzem a manada nacional. Poderíamos, apenas, com um voto consciente reescrever a nossa história, distante das páginas sujas que nos envergonham. Mas quem está preocupado com isso? Infelizmente, nas próximas eleições votaremos novamente pela paixão e pela aparência porque a nossa carne também é fraca. 





















28 de março de 2017

A CULTURA DO INSTANTÂNEO

Admmauro Gommes
Poeta, cronista e professor de Teoria Literária
admmaurogommes@hotmail.com

Viver em sintonia com os dias atuais implica adotar a cultura do instantâneo. Assim, objetos e pessoas passam a ser descartáveis, em nome de um consumismo desenfreado e momentâneo. Uma operação plástica, por exemplo, nem sempre acontece para corrigir lesão ou defeito mas para colocar o corpo em evidência, conforme um padrão anunciado, na semana passada.
A última palavra da moda caracteriza-se pela rejeição absoluta do modelo anterior. Os valores morais e éticos também são substituídos com uma velocidade muito grande. O que ontem parecia consenso, hoje, se transmuta com rapidez exatamente em direção oposta. E a intenção é nítida: confundir a mente da geração que se forma em torno das incertezas. Tudo é relativo e nada tem importância diante dos interesses pessoais.

27 de março de 2017

NO GALOPE À BEIRA MAR

OS 14 GALOPES 
DE RICARDO GUERRA 
E ADMMAURO GOMMES


Então vamos de galope a beira mar: (Pra não mais findar)(Riccardo Guerra)

O poema tá arretado e bastante avançado
Nos versos de Admmauro e de Marian.
Quem sabe hoje, ou depois de amanhã
Lá pras bandas da burarema, com a lua cheia,
com a minha musa dengosa e faceira,
pra confirmar esta prosa eu vou me esbaldar
poetas brincantes, com rimas alegres ao ar
proferem poemas perfeitos, e eu pegando a manha,
pra confirmar esta prosa e sua façanha
Vou cantando galope na beira do mar.

Amigo Ricardo, rei da Burarema
Há coisa que sempre encanta o matuto
Um bebo na praça fumando charuto
Em um batizado depois da novena.
O mundo é grande a vida é pequena
Há muita ciência pra gente pescar
Um chá de carqueja pra desinflamar
A queda do bicho parece um coice
Danou-se, danou-se a nega do doce
Nos dez de galope na beira do mar.



Famoso Admmauro do reino encantado
No Recanto das Águias não fica ao léu
Na pedra do reino seu nome é gravado
Como um grande poeta filho de Xexéu
Mais de vinte livros ele já escreveu
Tem a força de Hércules ou de um Teseu
No meio dos vinte: “Cinco Poetas e um Luar”.
De jaqueira lhe faço um convite arretado
Para em Maceió com tudo acertado
Cantarmos galope na beira do mar.


Poeta Admmauro, pode mandar galope de Xexéu pra Jaqueira, que eu mando daqui pra lá.
Abraços.
Depois, juntamos tudo e vamos publicar.




Quem tem um amigo não vive à toa
Está rodeado e nunca está só
Pode viajar para Maceió
Campina Grande e João Pessoa
E vara o mundo chegando em Lisboa
Na força do bicho chamado jaguar
E com bacamarte dá tiro no ar
Ao lado do amigo que é seu Ricardo
Que lá de Jaqueira é o maior bardo
Nos dez de galope na beira do mar.


5 Ricardo Guerra4 de outubro de 2013 18:42


O mundo endoidou, mas não me convenço
Que até minha Nega do Doce Danou-se
Partiu proferindo palavras, encantou-se
Para um mundo dos poetas ao qual eu pertenço.
Convidei Admmauro para ir me ajudar
E saímos os dois pelo mundo à procura
Não tínhamos noção para começar
Encontramos o tabuleiro e a Nega a vadiar
E ela não estava nem aí para tanta frescura
Ficamos cantando galope na beira do mar.



Admmauro Gommes 4 de outubro de 2013



Você que conhece a fala dos reis
E sabe da grota que mora o brejeiro
Como é que um médico vem do estrangeiro
E vai entender o seu jaqueirês?
Vai se confundir com o nordestinês
Nessa confusão pode se engasgar
Na hora da cura é capaz de matar
Não vai entender caxumba e querela
“Pobrema de estambo e da espinhela”
Nos dez de galope na beira do mar.




O meu jaqueirês é uma língua arretada
Até o estrangeiro aprende depressa
Três dias de feira e ele logo a professa
Ouvindo a língua matuta e falada
Depois o doutor toma umas lapadas
Da boa “temperada” do Alfredo Colar
Depois do efeito se dana a conversar
Miolo de pote e outras coisas também
Com os matutos se assim o convém
Nos dez de galope na beira do mar.



O seu idioma que é universal
E tem os traços de uma tradição
Careta e gesto em toda expressão
Trazendo um brilho que é sem igual
Quem não entender que é natural
Se engasga na pinga na porta do bar
Confunde caatinga e “cheirim” de gambá
Caxumba, papeira e cabeça de prego
Passando colírio para quem é cego
Nos dez de galope na beira do mar.




No meu idioma tudo é muito bacana
Meus irmãos matutos e uma nova língua
No meio da feira tomando uma pinga
Tendo como tira-gosto madura banana
Matuto é cabra sabido e muito legal
Em todo lugar ele gosta de estar
Observando e sempre aprendendo
Com sua viola pra cima e pra baixo
Eu também sou matuto por isso entendo
Nos dez de galope na beira do mar.




O matuto tem tal compreensão
Que as nuvens do céu sabe entender
Se amanhã é de sol ou vai chover
Se é dia de plantar milho ou feijão.
Ele sabe governar uma nação
Mesmo com um jeito estranho de falar
Há quem não consiga com ele conversar
Mas é um cabra tão inteligente
Que do Brasil um já foi até Presidente
Nos dez de galope na beira do mar.





Anatomia de matuto jaqueirense é assim
Pau da venta, zói, queixada e perna é canela
Beiço, cangote, suvaco, viria e guela
Mas não gosta das coisas cheias de pantim
Tem um jeito bonito da gota de falar
É bucho, chibata, cambito e pêia
Tripa gaiteira, buchada e zurêia
O bacamarte sempre tá pronto pra atirar 
Mas não mangue dele pois vai se arretar
Nos dez de galope na beira do mar.




Eu hoje fiquei malassombrado
Num pesadelo eu vi a caapora
E acordei depressa, sem demora
Pensei ver o Saci bem ao meu lado
Eu acho que tava vendo tudo errado
Rodrigues era um gato maracajá
Vital Corrêa imitava um sabiá
O Coronel cantava uma embolada
E Joel dava aquela gargalhada
Nos dez de galope na beira do mar.




Poetas preferem pois praticar poesia
Particularmente pelo prazer permanente
Pensando poder prosseguir previdente
Perfazendo percurso pela porfia
Permita-me porém parar para pensar
Preciso poetar por proficiência
Peço-lhe perdão pela paciência
Palavras prolíficas prefiro procurar
Pronto parei profundamente para praticar
No dez de galope na beira do mar.





Caro amigo Ricardo que é Guerra
Mas proclama a cultura de uma paz
No galope você provou que é demais
Cantando as belezas de sua terra
Cada verso que você encerra
Tem uma riqueza no seu linguajar
Por isso terminemos com esse pelejar
E não posso mais acompanhar você
Pois me faltam palavras na letra pê
Nos dez de galope na beira do mar.


Fim do galope.