13 de abril de 2014

EU QUERIA VER DE NOVO AQUILO QUE NUNCA VI

                       

POEMA PREPARADO PARA PEDRO (PROJETEC)       
Admmauro Gommes 













Déjà vu é como ver
O que não aconteceu
Que ainda não ocorreu
Difícil de entender
Antes de acontecer
Num mundo que não vivi
Eu lembro que eu sorri
E ao sentir me comovo
Eu queria ver de novo
Aquilo que nunca vi.

Há coisa no calendário
Que quero ver outra vez
O fim de tudo e o mês
Rever o meu centenário
Mudar todo itinerário
E negar que não morri
Como carta que já li
Escrever para meu povo
Eu queria ver de novo
Aquilo que nunca vi.

Este poema que agora
Eu acabo de inventar
Nunca o vi declamar
Em um tempo de outrora
É antigo, muito embora
Só hoje compreendi
Que a ave eu conheci
Antes de nascer do ovo
Eu estou vendo de novo
Aquilo que nunca vi.


Déjà vu, pronuncia-se Déjà vi, é um termo da língua francesa, que significa “já visto”. Déjà vu é uma reação psicológica que faz com que o cérebro transmita para o indivíduo que ele já esteve naquele lugar, sem jamais ter ido, ou que conhece alguém, mas que nunca a viu antes

12 de abril de 2014

EU NÃO TROCO MEU OXENTE

EU NÃO TROCO MEU OXENTE
PELO OK DE NINGUÉMAriano Suassuna








(...)
Esses verbetes do inglês
Que usam no dia a dia
Não me trazem simpatia
Estragam meu português
Vou ser sincero a vocês
Sou muito mais meu quinem
Adonde, prumode, eim?
Acho mais inteligente
Eu não troco meu oxente
Pelo ok de ninguém

Eu não falo REDBUL
Prefiro touro vermelho
MIRROR pra mim é espelho
BLUE BIRD pássaro azul
Bonito e não BEAUTIFU
Falo dez em vez de TEN
BABY pra mim é neném
E HOT pra mim é quente
Eu não troco meu oxente
Pelo ok de ninguém

Não gosto de pancadão
Nem de RAP improvisado
HIP HOP  pé quebrado
Sem métrica e sem oração
Sou muito mais Gonzagão
No forró do xenhenhém
Gosto de aboio e também
De um baião de repente
Eu não troco meu oxente
Pelo ok de ninguém


EU NÃO TROCO ARIANO
POR ESCRITOR DE NINGUÉM 
Admmauro Gommes








Tem muita gente bossal
Que ganhou até Nobel
Fez um brilhante papel
Na letra universal
De Espanha, Portugal
Da Itália, ou finlandês
Da Irlanda ou polonês
Inglês ou americano
Eu não troco Ariano
Por escritor de ninguém.






4 de abril de 2014

O AMOR ETERNIZA QUEM SE AMA

 Rhalyne Moura/Amaraji

 Rhalyne Moura
Ela é uma das tantas Marias que existem nesse mundo, mas não é apenas mais uma Maria, tem o dom de fazer pessoas felizes e existir já é motivo suficiente para tal. A vida lhe reservou dois casamentos e dezesseis filhos dos quais três não sobreviveram, os outros foram com sacrifícios e renúncias, bem criados. O semblante sempre sorridente esconde a vida dura enfrentada para chegar aos oitenta e oito anos tendo a cara de uma criança que acaba de ganhar o brinquedo tão almejado. Ser iluminado, alegria constante. Com um amor que não cabe em si, altruísta por excelência, abriu mão dos seus sonhos para lutar por seus filhos e fazer deles pessoas justas, seres humanos sensatos e mesmo que essa assunção se desse em prejuízo de suas metas, ela arriscou sem medo, esqueceu de si e viveu por e para eles, alcançou sucesso pleno, o que, para ela foi consideravelmente satisfatório e está para contar a quem quiser ouvir o quanto Deus foi e tem sido bom com ela.
Na missão nada fácil de sobreviver nessa vida tão arriscada, diria que ela tem se saído muito bem. Tem as maiores e melhores histórias para contar e é capaz de fazer com que qualquer pessoa queira permanecer na sua companhia maravilhadamente contentados com o que ali se escuta enquanto ela fica deitada no sofá menor, recostado na parede logo abaixo da janela da sala. A mania de só gostar de coisas simples faz com que todo mundo tenha grande dificuldade para presenteá-la. Teimosia e perfeccionismo são traços marcantes da criança idosa que adora fazer arte sem precisar se esconder, não abre mão de cozinhar no fogão de lenha e ainda faz questão de lavar roupas na lavanderia da área de serviço, além de tudo, faz o melhor doce de mamão com coco e a melhor cocada do mundo.
É carinho que não se explica, amor que não se mede e que se intensifica em cada olhar, é o silêncio de quem medita antes de articular, é menina, mulher, mãe, avó, bisavó, trisavó... é de aço e de flores, é um amor divino através do cuidado humano. É ela a maior prova que no sexo frágil há uma virilidade jamais vista. Deixa para trás os maiores guerreiros da história com a sua vida de superação e torna-se uma guerreira realizada. Com ela eu aprendi que o maior conhecimento do mundo não está presente nos livros, nem nas enciclopédias inteiras, mas no amor de quem se ama. Aprendi também que a morte jamais apaga o que alguém foi, que eternidade é além-tudo, ela me ensinou isso e continua a mostrar os caminhos e as verdades, a melhor herança que alguém pode deixar ela vem construindo há muito tempo e quando se for, não precisará de testamento porque tudo de melhor que ela tem já foi dado. Foi com ela que eu entendi que a força vem do coração e não dos músculos. Ela é para mim a imagem de Deus eternizada no mundo. O anjo que me guarda e ilumina.
         Depois de contar a história dela, apresento-lhes Maria José Soares, ou simplesmente Dona Neném. A mulher mais guerreira que eu já conheci: minha bisavó.



AMOR-AMOR  
 (Admmauro Gommes In: Luta dentro de  mim

Onde termina o amoR
começa RessentimentoS
no final deste iniciam
as partes da agonia
Soluços
Sofrimento
Solidão.

Ao termo da solidãO
pode começar Ódio
Orgulho
Orientação...

no fim do último som
da revoltA, da desculpA
é que vem cobrindo a dor
de novo
a palavra Amor.


A TECNOLOGIA MAIS PODEROSA
(Marcondes Calazans)

As categorias listadas nos versículos de I Coríntios no capítulo 13 são linhas diferentes das que costumamos ver nos cotidianos da realidade atual em que se encontra a humanidade. “Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine”.(I Cor. V. 1)
Vemos na passagem a supremacia do amor. Na perspectiva de Paulo, o problema principal quanto aos dons espirituais da igreja em Corinto era a falta de amor. Assim, Paulo passa a elaborar sobre a natureza e a importância do amor, como nos dias de hoje, especialmente nos lugares onde trabalhamos.
Paulo não estava interessado em fornecer uma relação exaustiva, ele está pensando naquele que “exerce misericórdia” e o que preside.
“O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz com indecência, não procura seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crer, tudo espera, tudo suporta” (I Cor. 13: 4 – 8).
Paciente... benigno... espera... suporta. As descrições de Paulo não reduzem o amor a sentimentos baratos ou atos mecânicos. Cada termo descreve tanto emoções quanto atitudes. Pensar no amor cristão como simples sentimento ou simples atividade é contradizer as definições do apóstolo.
O amor jamais acaba...(I Cor. 13, v. 8).
Podemos considerar essa declaração como um resumo dos versículos anteriores, especialmente à luz da frase “tudo suporta” (v. 7). Ao mesmo tempo, essa declaração permite a Paulo criar um contraste entre o amor, que permanece (v. 13), e os dons espirituais, que cessarão.
Jyoti Amge é uma indiana que detém o título de mulher mais baixa do mundo viva, certificada pelo Guinness World Records. Jyoti embora de pequena estatura, 62, 8 centímnetro de altura sempre esteve preocupada com o tamanho do amor das pessoas com as outras. Sempre fez entender que a grandeza de um ser humano deve ser o tamanho de sua generosidade para com o outro. Disse:
“...O Amor é a TECNOLOGIA MAIS PODEROSA neste planeta - é mais poderosa do que terremotos, tsunamis, envenenamento por radiação, guerra nuclear, as estruturas de controle, o governo, a corrupção política, etc... Você escolhe... O AMOR ainda é muito mais poderoso! E ao nos alinharmos no nosso Amor Ele cria Lindas potencialidades em expansão...” (AMGE, Jyoti, 16 de dezembro de 2011).

O que mais dizer! Amar simplesmente. Amar o outro sem que haja necessariamente a obrigação de abraçar, beijar ou outra “coisa’ qualquer. Amar independe de se estar perto ou longe. Quando você simplesmente ama com atitudes de oração e meditação para quem você apenas acha que não gosta de você, tenha certeza, ela irá mudar, pois quem estará atuando através das suas orações é simplesmente o Espírito Santo de Deus. Creia. Por isso ame incondicionalmente.




A CONCEITUAÇÃO DO AMOR
(Roberto de Queiroz)

Qual é afinal a autêntica conceituação do amor? Minha concepção vê-se obrigada a divagar entre os mais variados juízos. Uma vez que sobrepujado o Grande Livro, como avaliar esses hiatos? Qual deles está inerente à autêntica dialética do amor?

Já cheguei a crer que o amor fosse corrosível, como assevera o autor de Sermões; que fosse mortal, como insinua Vinicius de Moraes; que fosse fogo que arde sem se ver, como certifica Camões; e ainda hoje (na qualidade de menino que sou, no auge dos meus vinte e poucos anos) continuo a divagar sobre esses conceitos transitáveis e dessemelhantes.

É bem verdade que esses grandes e respeitáveis lentes fazem alusão ao Amor Eros, cuja essência tão incógnita é a união entre casais; todavia, amor é amor: o Filo, o Eros – ambos são arraigados ao Ágape; o contrário não é amor, é outra coisa.

Não seria difícil argumentar que, por esse critério, é genuína a conceituação de amor do poeta Rainer Maria Rilke: para ele, “o amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo em si mesmo, por causa de um outro ser; é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe”.

Rilke, possivelmente, está-se referindo ao Amor Eros. Mas que fariam os frenéticos, se tivessem que seguir (ao pé da letra) esse conceito?

(QUEIROZ, Roberto de. Folha de Pernambuco, 26/02/2010, Cidadania, p. 3)


9 de março de 2014

UM POETA

essência, o ponto de vista, o criador, gnóstico, inspirado, fingidor, iluminado... 

Terminamos este debate com a participação de 
ADMMAURO GOMMES, ALBANIELLY SOARES, ALEXANDRE FLOREZ, CONSTANTINO GOMES FERREIRA NETO, FARLLA CAROLINE, GABRIELA RAIANNE, JAILTON FERREIRA, MARCONDES CALAZANS, RICARDO GUERRA, ROBERTO DE QUEIROZ, SYLVIA BELTRÃO, VINICIUS DE MORAES, VITAL CORRÊA DE ARAÚJO E FREUD

OS POETAS CONHECEM O CÉU E A TERRA

“Os poetas (...) são aliados preciosos, e o seu testemunho merece a mais alta consideração, porque eles conhecem, entre o céu e a terra, muitas coisas que a nossa sabedoria escolar nem sequer sonha ainda. São, no conhecimento da alma, nossos mestres, que somos homens vulgares, pois bebem de fontes que não se tornaram ainda acessíveis à ciência.”
 FREUD, Sigmund. Delírios e sonhos na Gradiva de Jensen (1907 [1906]). IN: Obras completas, v.9. Rio de Janeiro: Imago, 1997. 



Poeta Juareiz Correya e Tércio Gommes, na FAMASUL

O POETA ESTENDE A MÃO 
(Admmauro Gommes)
                        
                                                           Para Juareiz Correya

Como quem conhece o destino
o poeta que viveu eras e era
e sempre será bússola e porto
estende a mão a um menino.

Vai pelas madrugadas que caminhei
lentamente enquanto os pássaros
se esqueciam de amanhecer.

Vai, porque nas veredas mais frias
deixei meu coração em chamas.

Vai, aprende minha vida-lição
porque um dia também
precisarás estender tua mão.



Poeta Amigo Admmauro Gommes: 

Este momento, flagrando poetizado e divulgado por você, no blog PROFESSOR DE LITERATURA  é um dos mais felizes que pude vivenciar, no lançamento do AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, promovido na FAMASUL.  

Há uns quatro anos eu não voltava a Palmares... e essa atividade do Departamento de Letras que você e João Constantino animam me surpreendeu positivamente e muito me agradou mesmo!  E aí aparece o seu filho Tércio! (depois conto umas histórias que essa imagem reavivou na minha memória...) 

Viva você e a sua Poesia!  Muito agradecido pelo poema que você me dedicou e que ainda divulgarei mais abertamente na Internet .

Fraterno abraço panamericano.

Juareiz Correya - Panamérica Nordestal Editora/Panamérica Livraria 




O POETA É...

UM FUNDADOR DE MUNDOS - Admmauro Gommes
O poeta é um fundador de mundos e está sempre dando respostas, como se alguém lhe pedisse explicação dos fatos da vida. Ele descreve o interior das coisas. Não como realmente são, mas como deviam ser. Por isso, o inventor não leva muito em conta os acontecimentos reais. Prefere criar sua própria versão, fazendo do feio bonito, do triste contente e do maldito, bendito.


Ele faz como quer. É por esse motivo que Manoel de Barros, um poeta do Mato Grosso, compreende que se pode tirar poesia até do esgoto. Se o poeta quiser, pode. Veja o exemplo de Augusto dos Anjos: Toma um fósforo. Acende teu cigarro!/ O beijo, amigo, é a véspera do escarro (ANJOS, 1971:146). Que coisa triste, colocar escarro na poesia! Mas é assim mesmo. O que se depreende desses versos não é o sentido frio do dicionário da palavra escarro, mas a grande verdade da vida e que existem pessoas que beijam outras com um beijo traiçoeiro, como Judas, que beijou Cristo para, em seguida, entregá-lo à prisão. Há bajuladores que depois de abraçar os amigos dão-lhe uma punhalada nas costas. Para retratar essa realidade, o poeta diz que o beijo (a parte boa) antecede a parte má (o escarro). Ninguém perguntou, mas ele responde. É assim o mundo visto pela ótica pessimista de quem escreve, embora seja bem mais conhecido dizer que o poeta só fala de amor. O certo é que a tradição não liga muito a ideia de esgoto à poesia. (GOMMES, Admmauro. Intradução poética)


O ENIGMA DO OLHAR DO POETA - Roberto de Queiroz
Roberto de Queiroz
Prezado Admmauro Gommes, são lúcidos seus comentários sobre os textos de Manoel de Barros e Augusto dos Anjos. É perfeitamente possível tirar poesia do esgoto. Também é perfeitamente possível a proximidade entre beijo e escarro. Não no sentido literal (denotativo), mas no sentido literário (conotativo) da palavra. O beijo de Judas e os bajuladores citados em seu texto ilustram muito bem sua linha de raciocínio. Afinal, “[...] o que realmente caracteriza a poesia é o fingimento. Observemos, por exemplo, a primeira estrofe do poema Autopsicografia, de Fernando Pessoa: “O poeta é um fingidor./ Finge tão completamente/ que chega a fingir que é dor/ a dor que deveras sente.” Esses dois últimos versos revelam claramente que o poeta não anula a existência de uma dor real, mas a dor fingida, a dor que figura no poema, assume uma característica própria e atua com mais intensidade que a dor real.” (QUEIROZ, Roberto de. O poeta e a poesia. In: ____. O enigma do olhar. Olinda: Livro Rápido, 2012, p. 15-16).
      Certos autores definem a poesia como ficção: “Poeta, escreveu Jonson, grande dramaturgo inglês, contemporâneo de Shakespeare e um dos homens mais cultos do seu tempo, é, não aquele que escreve com métrica, mas o que finge e forma uma fábula, pois fabula e ficção são, por assim dizer, a forma e a alma de toda obra poética ou poema.” Já o poeta francês Paul Valéry fez esta definição que se deleita em um belíssimo poema: “Poesia é a tentativa de representar ou de restituir por meio da linguagem articulada aquelas coisas ou aquela coisa que os gestos, as lágrimas, as carícias, os beijos, os suspiros procuram obscuramente exprimir.” “Mas é evidente que a poesia pode nascer também em pleno foco da consciência, e portanto atuar de maneira claramente apreensível. [...] Afinal em poesia tudo é relativo: a poesia não existe em si: será uma relação entre o mundo interior do poeta, com a sua sensibilidade, a sua cultura, as suas vivências, e o mundo interior daquele que o lê” (Manuel Bandeira). (QUEIROZ, Roberto de. In: ____. Meus versos livres e soltos. Recife: Editora do Autor, 1997 [prefácio]).



SER OU NÃO SER POETA - Vital Corrêa de Araújo
VCA
Proverbial a colocação exata do eminente poeta inglês W.H. Auden acerca do trabalho poético e do amor pelo verbo. “Por que você quer escrever poesia? Se a tal questão, jovem poeta, já a braços com fadiga poética, mas entusiasmado com esse novo jogo da vida, responder de chofre: porque tenho importantes coisas a dizer, não é poeta”, fuzila Auden certeiro e exato. Caso responda: porque gosto de curtir as palavras, ouvir o que elas têm a me dizer ou delas algo vou extrair, não sei (ainda) bem o quê; porque gosto de amassar e modelar o verbo como ao barro o oleiro ou ao mármor dar forma ou deformar o escultor. “Então, talvez se torne poeta, conclui Auden”. Então, arguo (Vital), você é poeta?


POETA: SER GNÓSTICO - Riccardo Guerra
Riccardo Guerra
Cuidado, muito cuidado, o "Ser Poeta" é um "Ser Gnóstico" (raríssimo, atualmente), mesmo que nem ele saiba disso, independe do seu credo. O Poeta é um místico que transita livremente entre as sete dimensões e enxerga o mundo com outro olhar. O seu olhar, aquele que ninguém o tem, apenas ele: O POETA. 





A IMORTALIDADE DO POETA - Marcondes Calazans
Marcondes Calazans
O poeta é alguém que pensa. A ideia de poesia é ausente quando ele se encontra de lápis na mão e papel sobre a mesa. Ele (o poeta) escreve o que pensa sobre tudo. Na maioria das vezes, sobre dilemas e agruras existenciais. Poesia e poética são a ética do poeta por vezes na absoluta certeza de que sua dialética é a felicidade e a tristeza, é nutrir-se para quem sabe sorrir ou ficar triste.
Os ingredientes do poeta para compor seus poemas oscilam entre os termos saudade, ausência e solidão. O poeta é o alquimista do poema, às vezes sem rima, sem vírgula, sem interrogação ou exclamação. Ele escreve e independe da razão. Expõe apenas o que se encontra em sua essência, que é o imaterial a conduzi-lo à imortalidade. O poeta não morre jamais! O poeta fala do coração, do que será... Da mulher que passa, como Vinicius de Moraes:

“Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!”

Ou da mulher que fica: “Fica comigo esta noite/E não te arrependerás.” (Adelino Moreira e Nelson Gonçalves). Do amigo que se embriaga por causa dessa mesma mulher. Do amigo que, apenas chora sem uma razão de ser. De quem partiu simplesmente (Admmauro Gommes/
Pelos sete mares):
  
“As pessoas que partem
parecem que partem
alguma coisa dentro de nós.”

O poeta é o único ser cercado de ingredientes suficientes para apenas em algumas linhas transformar uma palavra em verso, bem como uma pedra em poesia (“Tinha um apedra no meio do caminho – CDA). 
O poeta é, simplesmente. Com a poesia, ele tenta tornar possível a transmutação da vida material para o imaterial e, por fim, para a imortalidade (“Cansado de ser moderno/agora serei eterno” - Drummond), que é capaz de prolongar a vida indefinidamente.
O que mais poderia dizer?


PROCURA-SE UM  POETA!
Um poeta não são todos os poetas, essência de iluminados que por virtude ou dom, carrega o cerne transcendental das profundezas da eternidade, de um estado de espírito sem limites entre o mundo que vive e adota e o espaço infinito que cria, recria e inventa.
Se fosse falar do poeta viria em minhas lembranças uma infinidade de nomes, de títulos, de personagens, do mais inusitado na forma de poetizar ao mais previsível na maneira de escrever versos.
Um poeta é essencialmente e igualmente um ser na subjetividade existencial, quando em seus pensamentos se misturam as rimas, os ritmos e os encontros vocálicos e consonantais dos seus versos, na junção de uma vogal, de duas vogais, de uma semivogal mais vogal, mais semivogal de onde simplesmente se origina a sílaba.
Um poeta  é um só ser, embora com várias vertentes em permanente movimento, do agnóstico ao crente, do sonhador ao pragmático, do absoluto ao finito, do restrito ao limitado, do relativo e parcial ao imperfeito, misturado e impuro.
O poeta se encontra fácil, basta se deparar diante de alguém que escreva ou rabisque algumas linhas e defina o que escreveu de poesia, mas Um Poeta não se encontra em qualquer lugar, por ser um ser indivisível na particularidade da sua existência e na infinitude de sua imortalidade.

Procura-se UM  POETA!



O POETA ENXERGA ALÉM DO HORIZONTE  - Albanielly Soares (História/FAMASUL)


Albanielly Soares
Por si só, a palavra poeta já traz uma ideia de algo precioso, de beleza e arte. Nada tão simples, mas também nada tão complexo, pois na verdade a poesia está dentro de cada um, a única diferença está em saber deixar esta criação fluir naturalmente da alma. E como são poucas as pessoas que conseguem fazer isso, os que conseguem, são raros poetas. José de Alencar, diz que: "O cidadão é o poeta do direito e da justiça; o poeta é o cidadão do belo e da arte". Vemos que, como cidadãos, os indivíduos INVENTAM, CRIAM suas leis, regras de convivência e buscam seus direitos. O poeta é alguém que possui características plenas de um ser que ENCANTA e SEDUZ através de suas invenções, de seu vocabulário intenso e de uma fantástica maneira de, a partir destas, expor suas opiniões, seus sentimentos ou tratar da realidade de forma crítica e super ousada. Sua alma é livre para sentir, falar, escrever, criar. E por isso ele enxerga além do horizonte, faz do belo, feio e do feio, belo.


O POETA É UM FINGIDOR
- Gabriela Raianne/Letras (FAMASUL)

Ser poeta é um fingidor de suas dores, é gritar o que sente através das palavras descritas em versos ou poemas, traduz o que pensa do mundo ou das coisas. Poeta, homem tradutor de belas palavras, que invadem os ouvidos das pessoas que leem de forma silenciosa.


O PRIMEIRO OVO FECUNDADO
Vinicius de Moraes
Quantos somos, não sei... Somos um, talvez dois, três, talvez, quatro; cinco, talvez nada
Talvez a multiplicação de cinco em cinco mil e cujos restos encheriam doze terras
Quantos, não sei... Só sei que somos muitos - o desespero da dízima infinita
E que somos belos como deuses mas somos trágicos.
(...)
E enquanto o eterno tirava da música vazia a harmonia criadora
E da harmonia criadora a ordem dos seres e da ordem dos seres o amor
E do amor a morte e da morte o tempo e do tempo o sofrimento
E do sofrimento a contemplação e da contemplação a serenidade imperecível

Nós percorríamos como estranhas larvas a forma patética dos astros
A tudo assistindo e tudo ouvindo e tudo guardando eternamente
Como, não sei... Éramos a primeira manifestação da divindade
Éramos o primeiro ovo se fecundando à cálida centelha. 

Fragmento do poema O POETA. MORAES, Vinicius de. 
Antologia poética. São Paulo: Cia. das Letras, 1994. pp. 32-35.




INDEFINÍVEL - Jailton Ferreira/FAMASUL
Difícil a missão de definir o indefinível. Mas, um poeta é um ser que pensa, que reflete, que inventa, que sabe... e mistura tudo com uma maestria que o eleva ao estado da arte. Que cria, que recria, que atinge os mais altos planos do dizível e do indizível. Nesse último caso, o faz com palavras; e isso o que lhe torna POETA.



NINGUÉM NASCE POETA – Admmauro Gommes

Ninguém nasce poeta. Aos poucos é que o desencanto ou o reencanto da vida apresenta-se sob outra face do entendimento e vai-se compondo o novo mundo do ser que vê os fatos com o olho torto (como diria Manoel de Barros). A percepção aguçada (e incômoda) sobre o corriqueiro, o comum, é que torna o objeto poético interessante seja por sua novidade, estranheza ou elevada carga metafórica, quando em sua forma definitiva no poema. Há, ainda, que comentar a condição de que a arte poética se voltará para o interior do poema ou denunciará o exterior? Como eu disse em outro momento, “Agudas sensações são indizíveis. Dores crônicas, alegrias demasiadas e angústias vitais são amorfas. E por não se traduzir o sentimento profundo, não se admite que o ego atravesse tamanho lamaçal, assim como não se aceita que a poesia absoluta não seja retrato das coisas, mas a “coisa” em si.” Se o elemento poético tiver um olhar mais para fora do texto, que para dentro, será confundido com uma escritura qualquer, jornalística, biográfica, histórica, afastando-se assim da literariedade, condição que revela a força da poesia e do poeta.






É UMA AMEAÇASylvia Beltrão


Ser poeta é conseguir pegar o sol com as mãos nuas e colocá-lo em um pedaço de papel, ao ponto de cegar os olhos do leitor com seus raios metafóricos, ou abrilhantar de emoção um coração sofrido. É tirar de dentro de si aquilo que grita e ninguém consegue escutar, e este grito passa a se chamar verso.

Nas estrelinhas, o poeta consegue sussurrar seus mais íntimos segredos, e a elas prometem ao leitor: “Te provocarei a cada instante!”. É ainda se desligar do mundo, esquecendo que se tem amigos e confiar apenas em um pedaço de papel, como bem disse Machado de Assis: “Tenho a alma feita em maneira que dou apreço ao mínimo, uma vez que seja sincero. Não diria isto a ninguém cara a cara, mas a ti, papel, a ti que me recebes com paciência, e algumas vezes com satisfação, a ti, amigo velho, a ti digo e direi, ainda que me custe, e não me custa nada”. 

Realmente, não custa, basta ser absoluto e dizer sem dizer. Ser poeta é inventar néstogas, e fazer com que esta palavra inaudita, contagie a todos e passe a ser adotada pelo nosso vocabulário diário (e entenda quem puder!). É estar entre o real e o imaginário e muitas vezes fazer com que se pense que o imaginário é real. É uma constante confusão de ideias, ids descompassados, superegos enlouquecidos, loucuras cometidas sem parar para pensar nem por um milésimo de segundo nas consequências sofridas. É ser Vital (com trocadilhos!). Tudo isso são sintomas da doença crônica do poeta. Ser poeta é uma ameaça... apaixonante!



ACUJELÊ BANZAI!  - Alexandre Florez (Cachoeira do Sul/RS)
Alexandre Florez
O poeta, ah o poeta. Mário de Andrade dizia que o poeta "come amendoim!" Certamente o amendoim do poeta lhe confere poderes a lá Super Pateta, e, infelizmente, poderes com prazo de validade (tempo/circunstância) pré determinado... Ferreira Gullar afirma ironicamente que: "O preço do feijão não cabe no poema". O fingidor mor da língua Pátria Fernando Pessoa se auto descreve definindo a temporalidade geográfica de si no singelo poema Eu Sou do Tamanho do que Vejo, pela voz de seu alter ego Alberto Caieiro: "sou do tamanho do que vejo/e não, do tamanho da minha altura". O poeta, ah o poeta. Manuel Bandeira enseja: "Acujelê Banzai!" Seja o que for, ou como for expressa não o caráter mítico dionisíaco sei lá mais que do cerne do poeta & do poema. Mas é bonito pra danar! Poetas, fingidores, autores, autodidatas & outras palavrices... Ah ppoeta eu tenho certeza de que não conheces as respostas. Apenas perguntas. Amontoados de perguntas. Vale a Pena??? Fico com Fernando Pessoa: Tudo vale a pena se alma não é pequena!



O MUNDO SERIA BEM MAIS VULNERÁVEL E TRISTE SEM ELES - João Constantino Gomes Ferreira Neto 
João Constantino
Talvez um arquiteto das palavras; um artesão (Melhor, um ourives...). Sua ferramenta pode ser o lápis; a caneta; o grafite; o giz; o carvão ou será o coração? Não importa. O poeta é mais que isso (bem mais). Mais até do que este “mais”.
Ser poeta é ser um, dois, três....mil. É procurar entender e não ser entendido; convencer, sem estar convencido...provocar, e aceitar provocações. A propósito disto, mais uma vez, vimo-nos impelidos pelo nosso amigo e poeta (poeta, dos bons!), Admmauro Gommes, a tergiversar sobre o tema “O que é um poeta?” Sem dúvida, uma provocação que suscita uma série de divagações.
Segundo a professora Madalena Oliveira, “O poeta é aquele que pensa com a alma e a deixa falar”. Não sei, não...(e os concretistas?)
Poeta é um ser diferenciado, travestido de homem (ou de mulher) que, antecipando-se às reações mais diversas, invoca e provoca pessoas e instituições. São indivíduos que se surpreendem e nos surpreendem, com suas palavras, direcionadas ou não; ordenadas ou não, objetivamente ou não.
E são esses construtores de sonhos (às vezes, medonhos...) que nos permeiam o imaginário; que nos levam, e se deixam levar, pelas propostas e temas, por eles, os poetas, criados.
Seja ou não um fingidor, cheio de vontades, livre... o poeta rompe com as convenções e também nos liberta, porque consegue dizer, de maneira harmoniosa e melodiosa (ou não) aquilo que sentimos, mas não conseguimos externar, ou seja, o poeta nos desnuda e nos traduz. E, com isso, muda nossa forma de pensar, de agir, de falar...
Seriam eles, os poetas, serem iluminados, que irradiam uma energia que se espalha e atinge corações e mentes, fazendo-nos refletir nossa própria condição incondicional de seres propensos e vulneráveis às suas manipulações e maniqueísmos? Pois é.
E o que dizer dos intraduzíveis?
Esses sujeitos maravilhosos, os quais, com a sensibilidade mais (e melhor) aguçada, registram e refletem, em forma de poesia, o universo caótico que nos circunda. O que são esses homens (e essas mulheres?)
Artífices das nossas mais diversas quimeras, os poetas criam e evocam temas que emocionam, e que se encaixam (ou não) dentro de nós, causando-nos atração ou repulsa, através de seus versos diversos, que dão vida aos textos, e criam pretextos para, assim, justificar (ou não) suas emoções e suas reações diante de um mundo, cada vez mais complexo, reflexo da intraduzibilidade e da insensibilidade de algumas de suas camadas mais significantes.
As efusões emotivas da poesia do nosso tempo tentam reverter a opacidade e tristeza dos corações e mentes, sendo eles, os poetas encarregados de reverter (ou não) essas circunstâncias inusitadas, que se espalham pelo imaginário do dia a dia.
O mundo seria bem mais vulnerável, triste, e sem perspectiva, sem esses paladinos, defensores dos sentimentos, dos egos e abnegos que se instalaram em nós e que, muitas vezes, não nos deixam alternativas, senão sonhar como eles e/ou através deles, esses seres abençoados (ou amaldiçoados) que nos encantam, ao se encantarem com tudo o que transformam (e só eles) em poesia.   



FINGE QUE ESTÁ FINGINDO - Farlla Caroline

Farlla Caroline
O que é um poeta? Descrevê-lo não é uma tarefa tão fácil. Isto porque ele é um fingidor, ou seja, finge que está contente, finge que está triste, finge que está fingindo e finge até que não é capaz de fingir. Ele brinca com as palavras, a ponto de descrever o que para as pessoas comuns é indescritível. Sua missão é criar novos mistérios, encantar as pessoas a ponto de fazê-las acreditarem em um mundo utópico, cheio de fantasias.
Como disse Florbela Espanca em um de seus poemas: “Ser poeta é ser mais alto, é ser maior./Do que os homens!”. Cada poeta é único e possui a necessidade de transformar coisas simples e corriqueiras em poesia. Melhor dizendo, o verdadeiro poeta enxerga poesia em tudo a sua volta, até mesmo em uma pedra, como Drummond: “No meio do caminho tinha uma pedra./Tinha uma pedra no meio do caminho.”

Na verdade, poeta é todo aquele que se sente capaz de se “desligar” da realidade e de criar seu próprio universo, com a finalidade de desvendar o infinito por meio dos mais belos poemas.




MUITO GRATO PELA PARTICIPAÇÃO DE TODOS